Esquerda patina nas pesquisas e não ameaça Celina no DF
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Enquanto PT, PSB e PDT ainda buscam força nas urnas, governadora consolida base sólida e amplia vantagem rumo à reeleição no Buriti
Andrey Neves
O tabuleiro eleitoral do Distrito Federal para 2026 já tem um dado que poucos analistas contestam: enquanto MDB, PSD, PP e PL disputam espaço, alianças e vagas ao Senado em convenções movimentadas neste fim de semana, a esquerda segue sem apresentar um nome capaz de ameaçar a liderança da governadora Celina Leão (PP) na corrida ao Palácio do Buriti.
As definições do campo progressista até que avançaram sem sobressaltos. O PT confirmou Leandro Grass como candidato ao governo, a deputada Erika Kokay desponta como nome certo ao Senado, e Leila do Vôlei, pelo PDT, completa o bloco de oposição. O PSB, por sua vez, mantém a pré-candidatura do ex-interventor Ricardo Cappelli ao Buriti, numa tentativa de somar forças com o PT.
O problema não está na organização está no resultado. Nenhum dos nomes de esquerda conseguiu, até agora, demonstrar força suficiente nas pesquisas de intenção de voto para colocar em xeque a posição consolidada de Celina Leão. Falta ainda até a definição de vice na chapa PT-PSB, um sinal de que a costura política segue incompleta às vésperas de um período eleitoral decisivo.
Do outro lado do tabuleiro, Celina chega às convenções deste fim de semana em posição de favoritismo. A chapa ao governo já está praticamente fechada, com Gustavo Rocha (Republicanos) confirmado como vice uma aliança que amplia a base governista e sinaliza estabilidade justamente no momento em que outros partidos ainda tentam equacionar suas candidaturas.
O MDB, que perdeu protagonismo com a saída de Ibaneis Rocha da disputa, optou por reforçar essa base: oficializou apoio à reeleição de Celina em convenção lotada no ginásio da Ascad e confirmou Rafael Prudente na disputa pela Câmara Federal, encerrando especulações sobre uma eventual candidatura dele ao Senado ou ao próprio governo. Prudente, ao aceitar a missão, reforçou o discurso de continuidade: “vamos trabalhar para ampliar a representação do Distrito Federal em Brasília”.
Enquanto isso, PSD e PL ainda vivem impasses internos o primeiro travado pela inelegibilidade de José Roberto Arruda e pela ausência de uma chapa completa; o segundo, no aguardo da decisão de Michelle Bolsonaro sobre uma candidatura ao Senado. São capítulos que, cada um a seu modo, reforçam por contraste a imagem de organização e favoritismo que cerca a candidatura de Celina Leão.
Se este fim de semana de convenções revela algo, é a assimetria entre os blocos: de um lado, uma base governista que já sabe quem é candidato, quem é vice e para onde caminha; do outro, um campo de oposição à esquerda e também dentro do próprio PSD e PL que ainda tenta descobrir seus próprios nomes.


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