Juarez Machado, 85, morre no RJ
Compartilhar
Instituto Internacional Juarez Machado informou que causa foi parada cardíaca por complicações de pneumonia; artista convivia com Alzheimer.
Redação
Juarez Machado morreu no fim da tarde de terça-feira (6) no Hospital Universitário de Vassouras (RJ). O artista estava internado havia cerca de um mês para tratar de pneumonia.
Segundo a família, ele apresentava sinais de melhora quando teve uma parada cardíaca. O Instituto Internacional Juarez Machado (IIJM), fundado por ele, informou que a causa oficial foi parada cardíaca por complicações da pneumonia. Nos últimos anos Juarez Machado convivia com quadro de Alzheimer.
Nascido em 16 de março de 1941, em Joinville, iniciou o trabalho com imagem ainda jovem. O pai trabalhava como caixeiro viajante e fotógrafo amador; a mãe fazia pintura de leques. Aos 14 anos começou a desenhar rótulos e embalagens em uma gráfica. Estudou na Escola de Música e Belas Artes do Paraná, em Curitiba, onde realizou sua primeira individual.
Em seguida transferiu-se para o Rio de Janeiro, tornando-se conhecido como chargista e desenhista de humor em publicações como O Cruzeiro, Jornal do Brasil e O Pasquim. Trabalhou como cenógrafo na TV Globo e, em 1974, estreou no programa Fantástico um quadro em que animava seus próprios desenhos com o rosto pintado de branco. No mesmo ano assinou a cenografia e os figurinos do primeiro especial de Roberto Carlos e participou de projetos com artistas como Elis Regina, Raul Seixas e Emílio Santiago.
No fim dos anos 1970 passou a concentrar-se mais na pintura, incorporando nos quadros elementos provenientes da mímica, da cenografia e da caricatura. Em 2022 teve retrospectiva no Museu Oscar Niemeyer com 166 obras.
Nos anos 1980 estabeleceu ateliê em Montmartre, em Paris, e recebeu a Ordem das Artes e das Letras da França. Em Joinville permanece o mural cerâmico “O Grande Circo”, na fachada do Centreventos Cau Hansen, e o teatro da cidade leva seu nome desde a inauguração do espaço dedicado às artes. O IIJM ocupou, em 2014, a antiga casa dos pais.
O ator Ary Fontoura afirmou lembrar-se de Curitiba e de uma amizade que perdurou; a Prefeitura de Joinville decretou três dias de luto oficial. Entidades culturais e galerias publicaram notas de pesar e destacaram a importância da obra de Juarez Machado. Em 2020 ele velou a esposa, Melina Mosimann, diretora do instituto, que morreu aos 53 anos em razão de câncer.
Uma frase do próprio artista tem sido recordada: “Pena eu morrer um dia. Ainda teria tantas coisas para viver. E é a chance da gente entrar para a eternidade. Só a arte é eterna.”
Foto: Divulgação
Tags: juarez-machado, obituario, arte, pintura, cultura


Entrar no grupo do WhatsApp