Leandro Grass acusou PT de estelionato eleitoral
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Hoje candidato ao Governo do DF pelo partido, Grass já criticou a legenda por suposto caixa dois e ataques contra Marina Silva nas eleições de 2014.
Andrey Neves
A trajetória política de Leandro Grass (PT) reacende um debate sobre coerência na política brasileira. O candidato ao Governo do Distrito Federal, que anteriormente acusou o Partido dos Trabalhadores de estelionato eleitoral e criticou a postura de seus integrantes, hoje representa a legenda na disputa pelo Palácio do Buriti.
Grass não é o único político que passou de crítico a aliado do PT. O atual vice-presidente Geraldo Alckmin, quando ainda integrava o PSDB, chegou a afirmar, em 2017, que Lula queria “voltar à cena do crime”. Anos depois, tornou-se seu companheiro de chapa e passou a ocupar a Vice-Presidência da República.
Marina Silva também protagonizou disputas com o PT, especialmente nas eleições de 2014, quando enfrentou ataques da campanha de Dilma Rousseff. Posteriormente, aproximou-se novamente de Lula e assumiu o Ministério do Meio Ambiente.
Guilherme Boulos e André Janones também tiveram divergências políticas com o partido antes de consolidarem alianças com o campo liderado por Lula. As trajetórias são diferentes, mas demonstram como antigos confrontos podem dar lugar a acordos eleitorais.
No caso de Grass, as críticas ficaram registradas em publicações antigas nas redes sociais. Em mensagens que voltaram a circular em novembro de 2022, ele acusava o PT de estelionato eleitoral na disputa presidencial de 2014, com referências a caixa dois e ataques contra Marina Silva. Também classificou como revanchista e antidemocrática a postura de petistas após as eleições de 2018.
Naquele mesmo ano, Grass disputou o Governo do DF com o apoio da federação formada por PT, PV e PCdoB. Posteriormente, deixou o Partido Verde e ingressou no PT, passando a representar diretamente a legenda que havia criticado.
A mudança de posicionamento político, embora legítima, abre espaço para questionamentos sobre os motivos da aproximação e sobre como Grass concilia suas antigas declarações com a atual defesa do partido.
Resultado das urnas expõe desafio do PT no DF
Os números do primeiro turno das eleições de 2026 mostram a dimensão do desafio eleitoral enfrentado pelo PT no Distrito Federal.
Na disputa presidencial, considerando exclusivamente os votos registrados no DF, Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 909.616 votos, correspondentes a 51,31% dos votos válidos. Lula (PT) obteve 675.627 votos, ou 38,11%.
A diferença foi de 233.989 votos a favor de Flávio Bolsonaro entre os eleitores do Distrito Federal.
Na corrida pelo Palácio do Buriti, Celina Leão (PP) conquistou 825.530 votos, equivalentes a 49,93% dos votos válidos. Leandro Grass terminou o primeiro turno com 569.930 votos, ou 34,47%.
Celina superou Grass por 255.600 votos e ficou a apenas 0,07 ponto percentual da maioria absoluta necessária para vencer no primeiro turno.
O resultado confirmou a vantagem eleitoral da governadora, mas também levou os dois candidatos ao segundo turno, marcado para 25 de outubro.
Celina denuncia cartazes e cobra identificação dos responsáveis
A disputa também ganhou novos contornos após o aparecimento de cartazes com acusações contra a governadora Celina Leão em diferentes pontos de Brasília.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Celina denunciou o material, classificando seu conteúdo como falso e desrespeitoso, e informou ter tomado providências para que o episódio seja investigado.
A governadora cobrou esclarecimentos sobre quem produziu os cartazes, quem participou de sua distribuição e quem financiou a ação.
Celina também questionou o discurso de respeito às mulheres adotado por adversários políticos, afirmando que esse compromisso precisa ser demonstrado inclusive quando a mulher ocupa uma posição política contrária.
Para a governadora, os ataques representam uma tentativa de atingir sua imagem durante a disputa eleitoral. Ela relacionou o episódio à tensão provocada pelo resultado do primeiro turno e à vantagem que obteve nas urnas.
A autoria e o financiamento dos cartazes, entretanto, ainda precisam ser esclarecidos. A existência do material e a denúncia apresentada por Celina não comprovam, por si só, participação do PT ou da campanha de Leandro Grass.
Coerência e responsabilidade no segundo turno
O episódio dos cartazes acrescenta outra questão ao debate eleitoral: a responsabilidade dos candidatos e partidos pelas informações divulgadas durante a campanha.
Enquanto Celina exige a identificação dos responsáveis pelo material, Grass enfrenta questionamentos sobre sua trajetória de antigo crítico a representante do PT.
O candidato que já acusou o partido de estelionato eleitoral agora busca o comando do Distrito Federal com o apoio da mesma legenda. A mudança pode ser explicada por aproximações programáticas e alianças políticas, mas permanece sujeita ao escrutínio do eleitorado.
Com uma diferença superior a 255 mil votos entre os candidatos no primeiro turno, a disputa entra em uma nova etapa, marcada pelo confronto de propostas, cobranças sobre posições anteriores e denúncias que precisam ser apuradas.
Tags: Leandro Grass, Celina Leão, PT, Eleições 2026, Distrito Federal
Foto: Café com Política / Wikimedia Commons — Licença CC BY 3.0.


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