Arruda ainda fora das urnas
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Inelegibilidade mantém ex-governador fora das urnas e expõe limite político
Por Andrey Neves
O nome de José Roberto Arruda volta e meia reaparece nas conversas políticas do Distrito Federal, quase sempre acompanhado de especulações. Mas existe um ponto objetivo que encerra qualquer projeção eleitoral. Ele permanece inelegível. Não é cenário, não é tendência, não é interpretação. É a condição atual.
Mesmo assim, setores insistem em tratar seu eventual retorno como possibilidade concreta. Na prática, isso cria uma ilusão estratégica. Partidos que constroem planejamento em torno dessa hipótese apostam em algo que hoje não pode ocorrer nas urnas, o que gera instabilidade interna e atraso na formação de candidaturas viáveis.
Arruda ainda possui lembrança eleitoral e influência em determinados grupos, porém influência não substitui elegibilidade. Política competitiva depende de nomes aptos a registrar candidatura, fazer campanha e assumir mandato. Sem isso, qualquer articulação gira em torno de um centro que não pode participar do jogo.
O efeito prático é conhecido. pré-candidatos aguardam definições que não chegam, alianças ficam travadas e adversários avançam ocupando espaço real. Enquanto isso, o debate público se prende a um personagem impedido legalmente de disputar, desviando atenção de propostas e projetos concretos para a cidade.
Não se trata de negar seu peso histórico no DF. Trata-se de reconhecer o momento jurídico. Hoje, Arruda influencia bastidores, mas não disputa eleição. Confundir essas duas coisas produz mais ruído do que estratégia.
A política candanga costuma girar em ciclos longos, porém há uma diferença entre memória eleitoral e viabilidade eleitoral.
No caso atual, a primeira existe, a segunda não.
Tags: política do DF, inelegibilidade, eleições, opinião


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