A lei que pode tirar o pão de milhares de motoboys
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Mais exigências, menos trabalho: a conta que está caindo no colo de quem vive de entrega
Andrey neves
Recentemente, os motoboys foram surpreendidos pela intensificação da fiscalização da Lei Federal nº 12.009/2009 e suas regras complementares. Com isso, milhares de famílias já enfrentam o risco real de perder, da noite para o dia, sua principal fonte de renda.
As regras são: ter no mínimo 21 anos, CNH categoria A há pelo menos 2 anos, fazer curso obrigatório de motofrete (30h) e ter o curso registrado na CNH. Boa parte dos motoboys não tem e não foi avisada com antecedência para se preparar. Não houve campanha do governo federal nas grandes mídias, nem nas pequenas.
O que é fato é que isso pode gerar um efeito em cadeia no Brasil. Ou já esqueceram que foram eles que nos ajudaram durante a pandemia da COVID-19? Não é assim que se trata quem esteve na linha de frente em um período tão sensível.
Lembro que, durante a pandemia, um motoboy conhecido como Nico, também influenciador digital, fez uma alusão à música “Geni e o Zepelim”, de Chico Buarque, alertando que algo assim poderia acontecer no futuro, e hoje essa previsão parece se confirmar.
Na história, a personagem é uma prostituta que, mesmo marginalizada, é usada como solução quando a cidade precisa ser salva. Ela cumpre seu papel, resolve o problema, mas depois volta a ser desprezada, humilhada e rejeitada pela mesma sociedade que dependeu dela.
A comparação com a realidade atual é inevitável e incômoda.
Hoje, milhares de pais de família estão à beira da dificuldade, sem poder trabalhar. Somando a isso a falta de educação financeira e a ausência de margem para imprevistos, muitos não têm reserva para arcar com curso e exigências que agora passaram a ser cobradas dessa classe trabalhadora.
Em protesto, alguns trabalhadores questionam: por que é necessário um curso para fazer entregas se o nosso presidente não tem a 5º série? Vale lembrar que, além do curso, é preciso atualizar a CNH para incluir essa informação, trocar a placa para vermelha, ter mais de 21 anos e possuir habilitação há mais de dois anos. Para quem acabou de atingir a maioridade e precisa ajudar a família, isso praticamente fecha as portas.
Adicionar esses custos e exigências de forma imediata é, no mínimo, ignorar a realidade desses trabalhadores.
Esses profissionais, em sua maioria, trabalham em média 12 horas por dia como autônomos. Ou seja, não têm salário garantido. Tudo o que levam para casa depende do quanto produzem.
Propostas sobre valores mínimos por entrega também geram discussão. A intenção pode até ser boa, mas a conta não fecha sozinha. Alguém paga. E a pergunta é simples: quem? O restaurante, a plataforma ou o cliente? No fim, a tendência é cair no colo do consumidor final, que passa a pedir menos. Menos pedidos, menos entregas, menos renda.
Matemática básica.
Esse é o Brasil que enfrenta combustível caro, aumento de custos e mais exigências para quem está na ponta. No final, muda a regra, muda o discurso, mas a conta continua chegando para o mesmo lado: o do trabalhador.
Mas fiquem tranquilos, temos gás e SUS “gratuitos”. Só esqueceram de avisar que quem entregava o gás talvez não possa mais trabalhar.
Tags: motoboy, entregadores, legislação, trabalho informal
Foto gerada por IA


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