Dólar dispara após reeleição de Lula e bate R$ 5,60
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Resultado do segundo turno provoca forte reação no mercado financeiro. Moeda americana chegou a ultrapassar R$ 5,60 durante as negociações desta segunda-feira (26).
Andrey Neves
O dólar disparou nesta segunda-feira (26), primeiro dia de negociações após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um quarto mandato. A moeda americana encerrou o pregão cotada a R$ 5,4066, com valorização de 8,36% diante do real, em uma reação do mercado financeiro ao resultado das eleições presidenciais.
Durante a manhã, a cotação chegou a ultrapassar R$ 5,60, refletindo uma corrida de investidores para a moeda americana. Foi a maior alta diária do dólar desde março de 2003, segundo os dados do mercado à vista divulgados nesta segunda-feira.
A movimentação ocorreu após a confirmação da vitória de Lula sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno realizado no domingo (25). De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o presidente foi reeleito com 64.256.232 votos, correspondentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio recebeu 59.826.041 votos, o equivalente a 48,21%.
O resultado contrariou as expectativas de parte dos investidores, que haviam montado suas estratégias financeiras considerando uma possível vitória de Flávio Bolsonaro e uma mudança na condução da política econômica brasileira.
Depois do primeiro turno, quando Flávio terminou a disputa à frente de Lula, o mercado registrou valorização do real e avanço da Bolsa brasileira. Com a confirmação da reeleição do atual presidente, parte dessas apostas foi desfeita, provocando uma mudança brusca nas cotações.
A principal preocupação apontada por analistas financeiros está relacionada à trajetória das contas públicas, ao crescimento da dívida brasileira e à possibilidade de manutenção de uma política fiscal considerada menos restritiva pelos investidores.
Na avaliação desses profissionais, as incertezas sobre o controle das despesas e a capacidade do governo de estabilizar a dívida aumentam a percepção de risco, levando investidores a procurar proteção em ativos como o dólar.
A reação também atingiu a Bolsa de Valores brasileira. O Ibovespa registrou forte queda, levando a B3 a acionar o mecanismo conhecido como circuit breaker, que interrompe temporariamente as negociações quando o índice sofre uma desvalorização acentuada. A medida busca reduzir movimentos desordenados e permitir a reorganização das operações.
Os contratos futuros de juros também registraram elevação, diante das expectativas de maior risco fiscal. Esse movimento pode influenciar o custo do crédito e as condições de financiamento de empresas e consumidores, caso permaneça nos próximos meses.
Embora a valorização do dólar tenha ocorrido imediatamente após o resultado eleitoral, especialistas ressaltam que a evolução da taxa de câmbio dependerá de fatores como decisões econômicas do governo, cenário internacional, política monetária e movimentação de investidores.
O Banco Central adotou cautela ao comentar o episódio. O chefe do Departamento de Estatísticas da instituição, Fernando Rocha, afirmou que ainda é cedo para determinar os efeitos definitivos da alta da moeda americana, destacando a necessidade de observar o comportamento do mercado nos próximos dias.
Para a população, uma valorização persistente do dólar pode pressionar os preços de produtos importados, combustíveis e matérias-primas cotadas em moeda estrangeira. Entretanto, o impacto sobre os preços ao consumidor não é automático e depende da duração do movimento cambial.
A forte oscilação desta segunda-feira coloca as expectativas sobre a política econômica e o equilíbrio das contas públicas entre os principais temas acompanhados pelos investidores após o encerramento das eleições de 2026.


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