Grass chega à reta final sem encontrar caminho para virar o jogo

Publicado em: 30/09/2026 19:19

Compartilhar

Mesmo com milhões em recursos, apoio de Lula e saída de Arruda da disputa, candidato segue distante da liderança no Distrito Federal

Andrey Neves

Leandro Grass chega aos últimos dias da campanha diante de um problema que nenhum discurso conseguiu resolver até agora: sua candidatura cresceu, mas ainda não conseguiu mudar a configuração da disputa pelo Governo do Distrito Federal.

O candidato reuniu partidos, lideranças políticas, estrutura partidária e apoios importantes ao redor de seu projeto. Apesar disso, os levantamentos mais recentes continuam mostrando uma distância considerável para a liderança.

No Datafolha realizado entre 22 e 24 de setembro, Grass apareceu com 23% das intenções de voto no cenário sem José Roberto Arruda, enquanto Celina Leão registrou 42%. Considerando apenas os votos válidos, os percentuais eram de 27% para Grass e 51% para Celina.

Mais do que uma questão numérica, o cenário coloca uma pergunta sobre a estratégia da campanha: por que Grass ainda não conseguiu transformar toda a estrutura política reunida ao seu redor em uma candidatura capaz de disputar diretamente a liderança?

Durante boa parte da campanha, o petista concentrou esforços nas críticas ao atual grupo político que governa o Distrito Federal e na tentativa de estabelecer um confronto direto com Celina Leão. Fazer oposição faz parte da disputa, mas apontar os problemas do adversário e convencer o eleitor de que existe uma alternativa são desafios diferentes.

E estrutura financeira não parece ter faltado.

Segundo dados da prestação de contas eleitoral disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral e atualizados em 30 de setembro, a campanha de Leandro Grass declarou R$ 2,38 milhões em receitas e R$ 1,51 milhão em despesas contratadas.

Cerca de R$ 2,24 milhões da arrecadação vieram das direções nacional e distrital do PT, demonstrando o peso da estrutura partidária no financiamento da candidatura.

Mesmo com esse volume de recursos, ainda não surgiu nas pesquisas uma aproximação suficiente para alterar de maneira significativa a disputa pela primeira posição.

Nem mesmo a entrada direta de Lula na campanha produziu uma mudança clara nesse quadro.

O presidente esteve em Ceilândia no dia 16 de setembro, dividiu o palanque com Grass e pediu votos para o candidato do PT.

Na minha leitura, a ironia desta reta final é que a inelegibilidade de José Roberto Arruda acabou sendo numericamente mais útil para Grass do que a presença de Lula, a estrutura do PT e todo o esforço político colocado na campanha até aqui e os milhões gastos sua rejeição segundo o Real Time Big Data é de 40% dos eleitores que dizem que não votariam de nele jeito nenhum. DF-04637/2026

O próprio Datafolha ajuda a ilustrar essa situação. No levantamento realizado entre 22 e 24 de setembro, Grass aparecia com 21% quando Arruda ainda era apresentado entre os candidatos e chegava a 23% no cenário sem o ex-governador.

A campanha petista precisa alcançar o eleitor que não pertence à sua base tradicional e que não necessariamente toma sua decisão para o Governo do Distrito Federal a partir da disputa presidencial.

Nesse ponto, a ligação intensa com o PT pode funcionar simultaneamente como força e como limite: garante estrutura, recursos, militância e um eleitorado consolidado, mas não significa automaticamente capacidade de avançar sobre segmentos que estão fora desse campo político.

Na reta final, Grass recebeu apoio, ganhou espaço após a saída de Arruda e contou até com a presença do presidente da República em seu palanque. Ainda assim, permanece distante da liderança apresentada pelas pesquisas.

O problema de Grass, portanto, já não parece ser falta de exposição, dinheiro ou apoio político.

É transformar tudo isso em voto.

Pesquisa registrada o TSE sob o número DF-04637/2026

Tags: Leandro Grass, eleições 2026, Governo do DF, PT, Brasília

InstagramSiga no Instagram

WhatsAppEntrar no grupo do WhatsApp

Faça um comentário