MDB racha, Celina acerta e BRB é salvo

Publicado em: 10/06/2026 16:15

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Sucessão não é submissão. Essa talvez seja a frase que melhor resume os acontecimentos recentes da política do Distrito Federal

Andrey Neves

Em entrevista ao programa Vozes da Comunidade, Ibaneis Rocha afirmou que continuava apoiando Celina Leão, mas também declarou que gostaria de ver José Roberto Arruda encerrando sua trajetória política com mais um mandato de governador. A combinação das duas posições soou contraditória para parte dos observadores, justamente porque o debate sobre a sucessão já começava a ganhar força nos bastidores.

Em outro momento, o deputado federal Rafael Prudente afirmou estar preparado para exercer qualquer cargo no governo. A declaração chamou atenção porque ocorreu em meio às especulações sobre os rumos políticos do grupo governista. Posteriormente, em uma aparição ao lado de Ibaneis, Prudente demonstrou desconforto diante das interpretações que surgiram a partir dessas manifestações públicas.

Vistos em retrospectiva, esses episódios parecem ter revelado mais do que seus protagonistas pretendiam. O que antes era tratado como especulação passou a ganhar contornos mais nítidos à medida que os acontecimentos se desenrolavam.

O cenário ganhou novos contornos quando Ibaneis declarou que Celina não estaria alinhada com ele em determinados aspectos. A resposta veio rapidamente. Em vídeo divulgado nas redes sociais, a governadora rebateu a afirmação e reafirmou sua independência política, deixando claro que não confundia lealdade com subordinação.

A crise dentro do MDB acelerou esse processo.

A tentativa de retirar Wellington Luiz do comando regional do partido expôs uma divisão que já existia nos bastidores. De um lado, os que permaneceram alinhados ao projeto político de Celina Leão. Do outro, aqueles que passaram a defender uma alternativa para a disputa de 2026.

O grande erro dos articuladores do movimento foi acreditar que a governadora recuaria diante da pressão.

Aconteceu exatamente o contrário.

Celina transformou a crise em oportunidade. Identificou aliados, reorganizou sua base política e conduziu a aprovação do projeto considerado essencial para o futuro do BRB.

Enquanto a disputa partidária dominava os bastidores, a governadora assumiu a responsabilidade de enfrentar um problema que não foi criado por sua gestão. As dificuldades enfrentadas pelo BRB têm origem em decisões tomadas anteriormente e chegaram ao seu governo já em curso.

Muitos governantes optariam por empurrar o problema para frente. Celina decidiu enfrentá-lo.

Se a estratégia adotada produzir os resultados esperados, há uma grande chance de que esse episódio seja lembrado como o momento em que o BRB atravessou uma de suas maiores turbulências e conseguiu preservar sua estabilidade.

Já o MDB saiu da crise menor do que entrou. Trata-se de uma interpretação política, mas os parlamentares que embarcaram na tentativa de mudança interna descobriram que romper é fácil. Difícil é administrar as consequências do rompimento. Na política, confiança perdida raramente é recuperada integralmente.

O saldo final é claro: o MDB saiu dividido, Rafael Prudente passou a ocupar o centro das especulações sobre 2026 e Celina Leão emerge da crise politicamente fortalecida.

Se confirmar nas urnas a força política que demonstra neste momento, poderá chegar à próxima campanha carregando um argumento difícil de ser ignorado: recebeu a herança maldita do BRB, assumiu o desgaste político e, em menos de dois meses de mandato, conduziu a operação que evitou a liquidação do banco.

Na política, a memória do eleitor costuma ser seletiva. Mas, se o plano der certo, Celina poderá reivindicar para si o mérito de ter enfrentado a maior crise da história recente do BRB quando muitos preferiam apenas apontar culpados.

Na política, nem sempre vence quem faz mais barulho. Muitas vezes vence quem permanece de pé quando a tempestade termina.

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