O teatro da política: quando os rivais viram comadres e o alvo é sempre o mesmo
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Andrey Neves
Quem esperava assistir a um debate entre seis candidatos ao Governo do Distrito Federal talvez tenha visto outra coisa.
Em vários momentos, parecia que havia dois debates acontecendo ao mesmo tempo.
No primeiro, quando a governadora Celina Leão estava no centro da discussão, os adversários deixavam de lado qualquer cerimônia. As perguntas vinham carregadas de críticas, os ataques eram duros e a tentativa de desgastar a candidata era evidente.
No segundo debate, porém, o cenário mudava completamente.
Quando determinados candidatos, muitos deles com histórias políticas que se cruzam há anos, precisavam se enfrentar, a temperatura caía. O embate dava lugar a um verdadeiro bate-papo de comadres. Críticas tímidas, respostas educadas, sorrisos discretos e aquela velha sensação de que ninguém queria apertar demais o calo do outro.
Parecia que todos conheciam exatamente o limite até onde poderiam ir.
O telespectador mais atento certamente percebeu a diferença.
Enquanto Celina precisava responder por saúde, BRB, educação, mobilidade, segurança e praticamente todos os problemas acumulados do Distrito Federal, alguns de seus adversários pareciam disputar quem fazia a crítica mais elegante ao colega do lado.
Na política, isso não chega a ser novidade.
Os mesmos que hoje levantam o tom no horário eleitoral muitas vezes já dividiram palanque, governo, cargos, projetos e votações. A política aproxima e afasta pessoas conforme a conveniência do momento.
Mas, diante das câmeras, o contraste foi difícil de ignorar.
Contra Celina, o discurso era de confronto.
Entre alguns adversários, o clima lembrava aquele encontro de velhos conhecidos que discordam apenas o suficiente para manter a aparência de disputa.
Não se trata de dizer que exista qualquer combinação entre eles. Trata-se da impressão que ficou para quem assistiu ao debate do início ao fim.
E talvez exista uma explicação simples.
Em política, ninguém perde tempo atacando quem considera irrelevante.
Os ataques normalmente seguem uma lógica: concentram-se naquele que ocupa o governo, naquele que lidera a disputa ou naquele que representa o principal obstáculo para os demais candidatos.
Se a estratégia funcionará ou não, só o eleitor poderá responder nas urnas.
Mas uma conclusão parece inevitável.
Ao tentar transformar Celina Leão no alvo comum da noite, seus adversários acabaram, involuntariamente, reforçando quem era a protagonista do debate.
Porque, gostem ou não, foi em torno dela que a discussão girou do começo ao fim.
Tags:
Celina Leão, Debate do DF, Eleições 2026, Política DF


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