Roberta rompe silêncio e dispara acusações contra Lula
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Após ser chamada de pilantra pelo presidente, antiga aliada relata abandono, perda de clientes e ameaças contra as filhas às vésperas do segundo turno.
Andrey Neves
Na reta final para o segundo turno das eleições presidenciais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta acusações graves vindas de alguém que já esteve próximo de seu círculo político. A empresária e lobista Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, concedeu entrevista à CNN Brasil neste sábado (17) e fez declarações que aumentam a pressão sobre o candidato à reeleição.
Roberta, que durante anos circulou entre pessoas próximas ao presidente, agora se vê, segundo seu próprio relato, abandonada por antigos aliados. A mulher que antes desfrutava de acesso a integrantes do governo afirma ter perdido clientes, contratos e estabilidade financeira depois de ser chamada de “pilantra” por Lula em rede nacional.
O presidente chegou a negar proximidade com a empresária, embora fotografias dos dois juntos tenham circulado publicamente. Roberta também mantém uma relação de amizade com Lulinha e afirma ter presenciado diversos encontros entre o filho do presidente e ministros do governo federal.
O que antes era uma relação de proximidade política se transformou em uma disputa pública de acusações. Roberta afirma que foi exposta e deixada sozinha para enfrentar as consequências das investigações. Segundo ela, Lula a transformou em um “boi de piranha”, expressão utilizada para descrever alguém sacrificado para proteger os demais.
A situação, entretanto, vai além da perda de privilégios, influência e contratos comerciais. Durante a entrevista, Roberta relatou receber dezenas de ameaças de morte diariamente. Segundo a empresária, suas duas filhas também passaram a ser alvo de ameaças de violência sexual e agressões.
Depois de ter sua imagem publicamente atacada pelo presidente, Roberta afirma temer pela própria vida e pela segurança das filhas. Ela responsabiliza Lula pelo ambiente de hostilidade criado após as declarações presidenciais, embora não existam provas apresentadas publicamente de que o presidente tenha ordenado as ameaças.
A empresária também afirma ter ajudado Lulinha em diversas ocasiões. Mensagens obtidas pela Polícia Federal durante as investigações passaram a integrar a apuração sobre a relação entre os dois e possíveis práticas de tráfico de influência. A existência dessas comunicações não significa, por si só, que todos os atos mencionados sejam criminosos.
Agora, aquela que afirma ter perdido clientes, apoio político e parte de sua estabilidade financeira sinaliza que não pretende permanecer em silêncio. Roberta anunciou a intenção de realizar uma delação premiada e declarou que não pretende poupar ninguém, nem mesmo Lula e seu filho.
A possibilidade de uma colaboração com a Justiça abre uma nova frente de preocupação para o governo. Uma antiga integrante do círculo de confiança de Lulinha afirma possuir informações que poderão contribuir com as investigações em andamento.
A poucos dias da votação, o momento escolhido para as declarações também chama atenção. O eventual avanço de uma delação após o segundo turno, entretanto, dependerá das negociações e decisões das autoridades responsáveis. Não existem elementos que permitam afirmar que sua conclusão esteja sendo deliberadamente adiada por razões eleitorais.
Nas redes sociais, críticos do governo já associam a entrevista a um possível desgaste da candidatura de Lula entre eleitores indecisos. Embora essa avaliação circule entre comentaristas políticos, ainda não há levantamento que comprove uma perda específica de intenções de voto provocada pelas declarações de Roberta.
O impacto político, porém, é evidente na reação imediata da oposição, que passou a cobrar proteção para a empresária e suas filhas. Parlamentares também demonstraram preocupação com a gravidade das ameaças relatadas.
Lula negou envolvimento nas supostas tratativas mencionadas por Roberta e questionou a divulgação das acusações justamente na semana que antecede o segundo turno. Seu filho também nega irregularidades.
A situação apresenta um contraste marcante. De um lado, o presidente da República, candidato à reeleição. Do outro, uma mulher que anteriormente fazia parte de seu círculo político, hoje investigada, com bens bloqueados e que afirma ter sido abandonada por aqueles que considerava aliados.
Roberta Luchsinger diz não aceitar carregar sozinha a responsabilidade por fatos que estão sendo investigados. Suas declarações ainda precisarão ser confrontadas com documentos, depoimentos e demais provas reunidas pelas autoridades.
Enquanto o país se aproxima das urnas, Lula terá de lidar com o desgaste de ser publicamente acusado por uma antiga aliada que afirma não ter mais motivos para proteger pessoas de seu antigo círculo político.
Tags: Roberta Luchsinger, Lula, Lulinha, Delação Premiada, Eleições 2026
Foto: Reprodução / CNN Brasil


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