“A falta de informação ainda é uma barreira”, diz secretário da Pessoa com Deficiência

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William Ferreira da Cunha afirma que acesso à informação é fundamental para ampliar autonomia, inclusão profissional e acesso a direitos no Distrito Federal

Andrey Neves

O secretário da Pessoa com Deficiência do Distrito Federal, William Ferreira da Cunha, apontou a falta de informação como uma das principais barreiras enfrentadas atualmente pelas pessoas com deficiência. A declaração foi feita durante entrevista ao programa Vozes da Comunidade, ao abordar os desafios de inclusão no DF.

Pessoa com deficiência visual, William relatou que perdeu parte da visão após um acidente de carro aos 11 anos. Ele deixou o interior de Goiás e veio para Brasília em busca de reabilitação no Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais, na Asa Sul.

Segundo o secretário, a experiência pessoal influencia diretamente sua atuação à frente da pasta. William afirmou que conhece dificuldades relacionadas à mobilidade, à necessidade de auxílio de terceiros e ao acesso a serviços, mas destacou que a informação pode ser determinante para que uma pessoa conheça seus direitos e encontre alternativas para superar diferentes barreiras.

“Hoje, sem dúvida, eu encaro que a maior dificuldade que nós, pessoas com deficiência, enfrentamos é a falta de informação. Porque a informação transforma”, afirmou.

Durante a entrevista, William lembrou que seu primeiro emprego foi como empacotador em uma rede varejista. Posteriormente, trabalhou em uma rede hospitalar, passou por instituições ligadas à defesa de direitos, cursou Direito e tornou-se advogado.

Para o secretário, ter acesso a informações de qualidade foi uma das primeiras barreiras que conseguiu superar ao longo dessa trajetória.

BPC e entrada no mercado de trabalho

William também chamou atenção para a relação entre assistência social, emprego e acesso à moradia. Ele citou casos de pessoas com deficiência que permanecem durante anos em filas de programas habitacionais, mas encontram dificuldades posteriormente para conseguir financiamento por terem como renda o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

O secretário explicou que o BPC é um benefício assistencial e não uma aposentadoria. Também esclareceu que a Lei Orgânica da Assistência Social (Loas) é a legislação que estabelece o benefício.

Ao ingressar no mercado de trabalho e preencher os requisitos previstos na legislação, a pessoa com deficiência beneficiária do BPC pode ter acesso ao Auxílio-Inclusão. O mecanismo busca incentivar a entrada e a permanência de pessoas com deficiência no mercado formal de trabalho.

Para William, situações como essa mostram por que a informação precisa chegar às pessoas antes mesmo de elas enfrentarem determinados obstáculos.

A Secretaria da Pessoa com Deficiência do DF mantém ações voltadas à inclusão profissional e ao acesso a políticas públicas. Segundo o secretário, o avanço de uma antiga estrutura de coordenação para uma secretaria de Estado também representa uma busca por maior visibilidade das demandas das pessoas com deficiência no Distrito Federal.

Tags: Pessoa com Deficiência, William Ferreira da Cunha, Inclusão, BPC, Distrito Federal

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