Taiwan pede apoio para ampliar participação na ONU

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Representante de Taiwan no Brasil, Benito Liao defende presença em organismos internacionais e destaca importância da ilha para tecnologia e comércio mundial

Andrey Neves

O representante de Taiwan no Brasil, Benito Liao, defendeu uma maior participação de Taiwan no sistema das Nações Unidas e pediu atenção da comunidade internacional para a estabilidade no Estreito de Taiwan. A manifestação ocorre no mês de abertura da 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

Neste ano, a Assembleia Geral tem como tema “Restaurando a confiança, gerenciando a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todos”. A sessão foi aberta em 8 de setembro, enquanto o debate de alto nível está previsto para ocorrer entre os dias 22 e 28.

Para Benito Liao, o debate sobre participação internacional de Taiwan também deve considerar o papel da ilha na economia mundial, especialmente na fabricação de semicondutores e na cadeia de suprimentos ligada ao desenvolvimento da inteligência artificial.

O representante também chamou atenção para a importância estratégica do Estreito de Taiwan para o transporte marítimo internacional e afirmou que a manutenção da paz e da estabilidade na região produz efeitos que ultrapassam o continente asiático.

Embora reconheça a distância geográfica entre Brasil e Taiwan, Liao afirmou que os dois lados compartilham interesse pela paz e pela estabilidade e pediu que brasileiros acompanhem a situação na região.

Um dos principais pontos apresentados por Benito Liao é a reivindicação por uma participação considerada significativa de Taiwan nas Nações Unidas e em suas agências especializadas.

Segundo ele, os cerca de 23,5 milhões de habitantes de Taiwan permanecem fora do sistema da ONU, apesar da contribuição da ilha em áreas como tecnologia, desenvolvimento sustentável e cooperação internacional.

“Ninguém deve ser excluído”, afirmou Liao ao defender maior espaço para Taiwan nas instituições internacionais.

O representante também criticou restrições enfrentadas por cidadãos e jornalistas taiwaneses em atividades relacionadas às Nações Unidas.

Liao também contestou a interpretação da Resolução 2758 da Assembleia Geral das Nações Unidas. A resolução, aprovada em 25 de outubro de 1971, restaurou os direitos da República Popular da China na ONU e reconheceu seus representantes como os representantes da China na organização.

A interpretação do alcance dessa resolução é objeto de disputa política. Liao sustenta que o documento não determina que Taiwan faça parte da República Popular da China nem trata expressamente da representação da população taiwanesa.

A posição defendida pelo governo chinês é diferente. Pequim sustenta que a resolução solucionou a questão da representação da China nas Nações Unidas e que Taiwan faz parte do território chinês, posição registrada em documentos apresentados pela China no sistema da própria ONU.

Benito Liao defende que Taiwan possa contribuir diretamente em discussões internacionais relacionadas a desenvolvimento sustentável, tecnologia, paz e outros desafios globais.

“Conclamamos todos a apoiarem a participação significativa de Taiwan nas Nações Unidas, em benefício do progresso, da cooperação e da prosperidade globais”, afirmou.

Tags: Taiwan, Benito Liao, ONU, Assembleia Geral da ONU, Relações Internacionais

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