Cappelli, candidato ao GDF, surge em prints do caso Master
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Levantamento mostra investimento estimado entre R$ 20 mil e R$ 25 mil em anúncios sobre o BRB; após mensagens atribuídas aos autos da investigação citarem seu nome, o tema perdeu espaço nas redes do pré-candidato
Andrey Neves
Durante meses, o pré-candidato ao Governo do Distrito Federal Ricardo Cappelli transformou o caso BRB/Banco Master em uma de suas principais bandeiras políticas. Vídeos, discursos, pedidos de CPI, críticas ao governo Ibaneis Rocha e acusações de um suposto “maior escândalo financeiro da história do Brasil” dominaram suas redes sociais.
Mas, após a divulgação de mensagens atribuídas aos autos de uma investigação da Polícia Federal nas quais seu nome aparece mencionado, o tema praticamente desapareceu de sua comunicação pública.
O que mostram os documentos
Entre os documentos divulgados estão mensagens atribuídas ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e a Thiago Miranda.
Em uma das conversas, Thiago informa que iria procurar Ricardo Cappelli. Pouco depois, envia uma nova mensagem:
“Cappelli deu uma segurada. Acho que nosso papo valeu.”
Os documentos, por si só, não demonstram a existência de qualquer acordo, favorecimento ou prática ilícita envolvendo o pré-candidato. Também não permitem concluir, isoladamente, o contexto exato da conversa.
Entretanto, o fato de o nome de Cappelli aparecer citado em mensagens constantes dos autos levantou questionamentos públicos, especialmente porque ele era um dos principais críticos da operação envolvendo o BRB e o Banco Master.
Milhares de reais investidos para impulsionar o tema
Antes da divulgação dessas mensagens, Cappelli promovia intensamente o assunto em suas redes sociais.
Levantamento realizado com base na Biblioteca de Anúncios da Meta mostra dezenas de campanhas patrocinadas relacionadas ao BRB e ao Banco Master. Somando as faixas de investimento divulgadas pela própria plataforma, a estimativa é de que tenham sido investidos entre R$ 20 mil e R$ 25 mil apenas em impulsionamento de anúncios sobre o tema.
Esse valor corresponde exclusivamente ao investimento em mídia informado pela Meta.
Não estão incluídos nessa estimativa os custos de produção dos vídeos, gravação, edição, criação das peças publicitárias nem eventual contratação de empresa ou equipe responsável pelo planejamento, gerenciamento e publicação das campanhas digitais, despesas que não puderam ser identificadas por meio das informações públicas disponíveis.
Os anúncios patrocinados alcançaram centenas de milhares de pessoas e continham mensagens como:
- “O maior escândalo financeiro da história do Brasil”;
- pedidos de CPI do BRB;
- críticas à compra do Banco Master;
- ataques à condução do caso pelo Governo do Distrito Federal;
- denúncias envolvendo servidores do BRB;
- campanhas utilizando as hashtags #BRB e #Master.
Mudança de discurso
Após a divulgação das mensagens em que seu nome aparece citado, o conteúdo relacionado ao BRB/Master perdeu espaço nas redes sociais do pré-candidato.
Nos últimos meses, publicações sobre motoristas de aplicativo, transporte público, mototáxi e outros temas passaram a ocupar a maior parte da comunicação política de Cappelli.
Não há elementos que permitam afirmar que essa mudança tenha relação direta com as mensagens atribuídas aos autos da investigação.
Ainda assim, a coincidência temporal chama atenção.
A pergunta que permanece
Se o caso BRB/Master foi importante a ponto de motivar dezenas de vídeos patrocinados e um investimento estimado entre R$ 20 mil e R$ 25 mil apenas em impulsionamento, além dos custos de produção e da eventual estrutura de comunicação da campanha, por que o tema praticamente desapareceu das publicações justamente após a divulgação das mensagens em que o nome de Ricardo Cappelli aparece citado?
Até o momento, não há um esclarecimento público detalhado do pré-candidato explicando essa mudança de foco em sua comunicação.
Enquanto isso, os documentos que mencionam seu nome seguem gerando questionamentos e alimentando o debate político sobre um dos casos de maior repercussão envolvendo o BRB e o Banco Master.
Abaixo, o leitor pode consultar diretamente os registros públicos da Biblioteca de Anúncios da Meta, que detalham os anúncios patrocinados por Ricardo Cappelli, incluindo período de veiculação, alcance e a faixa de investimento divulgada pela própria plataforma. Essas informações serviram de base para a estimativa de gastos apresentada nesta reportagem.



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