Hospital de Base faz 1º transplante de medula óssea
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Procedimento inédito na unidade beneficia paciente de 54 anos com câncer e amplia o atendimento de alta complexidade pelo SUS no Distrito Federal.
Redação
O Hospital de Base do Distrito Federal realizou, pela primeira vez em sua história, um transplante de medula óssea. O procedimento ocorreu em 8 de outubro e foi divulgado nesta segunda-feira (26). O primeiro paciente atendido foi o comerciante Carlos França Pereira, de 54 anos, diagnosticado com mieloma múltiplo, um tipo de câncer que afeta a medula óssea.
A descoberta da doença aconteceu após Carlos sentir uma dor persistente no ombro direito durante um treino na academia. Os exames identificaram um tumor e, em novembro de 2025, veio o diagnóstico. A notícia trouxe preocupação ao comerciante, principalmente pela possibilidade de não acompanhar o crescimento dos filhos.
O tratamento começou com sessões de quimioterapia em fevereiro deste ano. Após apresentar uma resposta favorável, Carlos foi considerado apto a receber o transplante, realizado por uma equipe especializada do Hospital de Base, administrado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF).
A técnica utilizada foi o transplante autólogo, que emprega células-tronco do próprio paciente. Diferentemente de uma cirurgia convencional, o procedimento consiste na coleta dessas células, seguida de quimioterapia de alta intensidade e da reinfusão do material por meio de um processo semelhante a uma transfusão de sangue.
Carlos foi internado em 5 de outubro. Três dias depois, recebeu as células-tronco em uma infusão que durou aproximadamente 30 minutos. Durante a recuperação, permaneceu em isolamento e sob acompanhamento médico, devido à redução das defesas do organismo.
No dia 19, os exames indicaram que a medula havia retomado a produção de células de defesa. A recuperação foi confirmada no dia seguinte, quando o paciente recebeu alta após 15 dias de internação, sem complicações graves.
A implantação do serviço representa uma ampliação da capacidade de tratamento da rede pública de saúde. Até então, pacientes acompanhados pelo Hospital de Base que precisavam desse tipo de transplante eram encaminhados à Central Estadual de Transplantes, responsável pela distribuição de vagas entre unidades habilitadas.
Segundo o IgesDF, a estruturação do serviço envolveu aproximadamente 30 profissionais de diferentes especialidades, além de adequações físicas, capacitação das equipes e implementação de protocolos de segurança.
A expectativa é que o Hospital de Base realize inicialmente de dois a quatro transplantes por mês, principalmente em pacientes com mieloma múltiplo e determinados tipos de linfoma. A unidade também planeja oferecer futuramente transplantes com células-tronco de doadores.
Apesar da evolução clínica, os médicos ressaltam que a recuperação da medula não significa necessariamente a cura do câncer. No caso do mieloma múltiplo, o transplante busca prolongar o controle da doença e melhorar a qualidade de vida do paciente.
Após receber alta, Carlos foi homenageado pelos profissionais que participaram de seu tratamento. A equipe organizou um corredor de aplausos para celebrar sua recuperação e a realização do primeiro transplante de medula óssea da unidade.


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